Garotas

•junho 26, 2009 • Deixe um comentário

Tanzan e Ekido certa vez viajavam juntos por uma estrada lamacenta. Uma pesada chuva ainda caía, dificultando a caminhada. Chegando a uma curva, eles encontraram uma bela garota vestida com um quimono de seda e cinta, incapaz de cruzar a intercessão.

 

“Venha, menina,” disse Tanzan de imediato. Erguendo-a em seus braços, ele a carregou atravessando o lamaçal.

 

Ekido não falou nada até aquela noite quando eles atingiram o alojamento do Templo. Então ele não mais se conteve e disse:

 

“Nós monges não nos aproximamos de mulheres,” ele disse a Tanzan, “especialmente as jovens e belas. Isto é perigoso. Por que fez aquilo?”

 

“Eu deixei a garota lá,” disse Tanzan. “Você ainda a está carregando?”

Nas mãos do destino

•junho 3, 2009 • Deixe um comentário

Um grande guerreiro japonês chamado Nobunaga decidiu atacar o inimigo embora ele tivesse apenas um décimo do número de homens que seu oponente. Ele sabia que poderia ganhar mesmo

assim, mas seus soldados tinham dúvidas. No caminho para a batalha ele parou em um templo Shinto e disse aos seus homens:

 

“Após eu visitar o relicário eu jogarei uma moeda. Se a Cara sair, iremos vencer; se sair a Coroa, iremos com certeza perder. O Destino nos tem em suas mãos.”

 

Nobunaga entrou no templo e ofereceu uma prece silenciosa. Então saiu e jogou a moeda. A Cara apareceu. Seus soldados ficaram tão entusiasmados a lutar que eles ganharam a batalha facilmente.

Após a batalha, seu segundo em comando disse-lhe orgulhoso:

 

“Ninguém pode mudar a mão do Destino!”

 

“Realmente não…” disse Nobunaga mostrando-lhe reservadamente sua moeda, que tinha sido duplicada, possuindo a Cara impressa nos dois lados.

Uma Parábola

•maio 17, 2009 • Deixe um comentário

Certa vez, disse o Buddha uma parábola:

 

Um homem viajando em um campo encontrou um tigre. Ele correu, o tigre em seu encalço. Aproximando-se de um precipício, tomou as raízes expostas de uma vinha selvagem em suas mãos e pendurou-se precipitadamente abaixo, na beira do abismo. O tigre o farejava acima. Tremendo, o homem olhou para baixo e viu, no fundo do precipício, outro tigre a esperá-lo. Apenas a vinha o sustinha. Mas, ao olhar para a planta, viu dois ratos, um negro e outro branco, roendo aos poucos sua raiz. Neste momento seus olhos perceberam um belo morango vicejando perto. Segurando a vinha com uma mão, ele pegou o morango com a outra e o comeu.

“Que delícia!”, ele disse.

Cosmogonia (continuação)

•maio 10, 2009 • Deixe um comentário

O Mestre Liè zĭ disse: “Os homens inspirados de antigamente se referiam ao Yin e ao Yang como se controlassem a soma total do Céu e da Terra. Mas aquilo que tem substância é gerado daquilo que é vazio de substância; do que então foram o Céu e a Terra gerados?

Eles foram gerados do nada, e vieram à existência de si mesmos.

Portanto nós dizemos, há um grande Princípio de Mudança, uma grande Origem, um grande Começo, uma grande Simplicidade Primordial. Na grande Mudança substância não é ainda principal. Na grande Origem encontra-se o começo da substância. No grande Começo, encontra-se o começo da forma material.

Depois da separação do Yin e do Yang, quando classes de objetos assumem suas formas.

Na grande Simplicidade encontra-se o início das qualidades essenciais.

 

{p. 18}

 

Quando substância, forma e qualidades essenciais são ainda indistingüivelmente combinadas (misturadas) juntas é chamado Caos. Caos significa que todas as coisas são caoticamente intermixadas e não estão ainda separadas uma de outra. Os elementos mais puros e mais leves tendem para cima, fizeram os Céus; os elementos mais espessos e mais pesados, tendem para baixo, fizeram a Terra. Substância, harmoniosamente adequada, se tornou Homem; e o Céu e a Terra contendo deste modo um elemento espiritual, todas as coisas foram evoluídas e produzidas.”

 

*         *         *

 

O Mestre Liè zĭ disse: “A virtude do Céu e da Terra, os poderes do Sábio, e os usos das miríades de coisas na Criação, não são perfeitas em cada direção. É a função do Céu produzir vida e espalhar um teto sobre tal. É a função da Terra formar corpos materiais e sustentá-los. É a função do Sábio proteger outros e influenciá-los para bem. É a função de coisas criadas adequar-se à sua própria natureza. Assim sendo, há coisas nas quais a Terra pode sobressair, apesar de que elas se encontram fora do escopo do Céu, questões nas quais o Sábio não tem preocupação, apesar de que elas podem livremente atuar para outros. Pois está claro que aquilo que transmite e considera sobre vida não pode formar e sustentar corpos materiais; aquilo que forma e sustenta corpos materiais não pode ensinar e influenciar para bem; aquele que ensina e influencia para bem não pode correr contra os instintos naturais; aquilo que é fixado num ambiente adequado não viaja fora de sua própria esfera.

 

{p. 20}

 

Então, o Caminho do Céu e da Terra vai ser tanto do Yin ou do Yang; o ensinamento do Sábio será tanto de altruísmo ou de justiça; a qualidade dos objetos criados será tanto leve ou forte. Todos estes se adequam à sua natureza apropriada e não podem partir da província designada a eles.”

 

 

Livro de Liè Zĭ

O caminho está no cotidiano

•maio 5, 2009 • Deixe um comentário

Joshu perguntou a Nansen: “Qual é o Caminho?”

Nansen disse: “O dia-a-dia é o Caminho”.

“Pode ele ser estudado?” perguntou Joshu.

Nansen disse: “Se tentares estudá-lo, irás estar muito longe dele.”

Joshu replicou: “Se não posso estudá-lo, como posso entender o Caminho?”

Nansen completou: “O Caminho não pertence ao mundo da percepção, nem Ele pertence ao mundo da não-percepção. A cognição é delusão e a não-cognição é sem sentido. Se desejais alcançar o Verdadeiro Caminho além das dúvidas, busqueis ser tão livre como o céu. E não afirmais que isso é bom ou ruim.”

Ao ouvir tais palavras, Joshu atingiu o Satori.

Uma xícara de Chá

•abril 30, 2009 • Deixe um comentário

Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912),

recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas.

Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda.

O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:

 

“Está muito cheio. Não cabe mais chá!”

 

“Como esta xícara,” Nan-in disse, “você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?”

Verso Zen

•abril 26, 2009 • Deixe um comentário

 Antes de entendermos o Zen, as montanhas são montanhas e os rios são rios;

 

Ao nos esforçarmos para entender o Zen, as montanhas deixam de ser montanhas e os rios deixam de ser rios;

 

Quando finalmente entendemos o Zen, as montanhas voltam a ser montanhas e os rios voltam a ser rios.